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Cabelos
24 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Exames para queda de cabelo: quando são pedidos e o que mostram

Consultório de Dra. Simone Vitor · Dermatologista · CRM-SP 184.235 · RQE 99.098
Conteúdo informativo · atualizado em 24 de outubro de 2026
Cesto com tubos de coleta de sangue de tampas roxas e amarelas, usados em exames de laboratório.

Foto ilustrativa de arquivo público (Wikimedia Commons). Crédito ao fim do texto.

Não existe um painel único de exames para queda de cabelo. Os exames de sangue são escolhidos depois da conversa e do exame do couro cabeludo, conforme a causa que se suspeita. Entre os mais pedidos estão a ferritina, o hemograma e os exames da tireoide. Vitamina D, vitamina B12, zinco, hormônios e outros entram quando a história aponta para eles. Já a análise do fio vendida como mineralograma não diagnostica falta de vitaminas nem de minerais.

Saber o que cada exame mostra, e o que ele não mostra, evita duas armadilhas comuns: tomar suplemento sem necessidade e achar que a queda não é real porque os exames vieram normais.

Existe um check-up capilar com lista fixa de exames?

Não. Queda de cabelo é um sintoma com causas diferentes, e cada uma pede uma investigação própria. O consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre alopecia areata afirma que exames complementares não são obrigatórios para o diagnóstico e são pedidos conforme a suspeita. A Associação Britânica de Dermatologistas descreve o mesmo no eflúvio telógeno: o diagnóstico vem da história e do aspecto do couro cabeludo, e o exame de sangue serve para afastar outras causas, como alteração da tireoide e falta de ferro. E uma revisão publicada no periódico da Academia Americana de Dermatologia concluiu que não há evidência suficiente para recomendar a dosagem de ferro em todas as pessoas com queda.

A investigação segue esta ordem:

  • A história: parto, cirurgia, febre alta, dieta restritiva ou medicamento novo nos meses anteriores. No eflúvio telógeno, o gatilho costuma estar dois a três meses antes do início da queda.
  • O exame do couro cabeludo, com a tricoscopia, que ajuda a separar eflúvio, calvície e alopecia areata.
  • Os exames de sangue, escolhidos a partir das duas etapas anteriores.

A calvície feminina, por exemplo, é diagnosticada pela história e pelo exame do couro cabeludo, e nenhum exame de sangue a confirma.

O que a ferritina mostra na queda de cabelo?

A ferritina reflete o estoque de ferro do corpo e costuma baixar antes da hemoglobina, por isso pode estar baixa mesmo sem anemia. A falta de ferro é uma das causas investigadas no eflúvio telógeno, principalmente em mulheres com fluxo menstrual intenso, gestação recente ou alimentação pobre em ferro, embora os estudos não sejam unânimes sobre o peso dela na queda.

Os limites do exame:

  • Inflamação engana. A ferritina sobe em infecções e inflamações, e um valor normal pode esconder estoque baixo. Outros exames do ferro ajudam a interpretar.
  • Não há consenso sobre um valor ideal para o cabelo. As faixas variam entre os estudos.
  • Ferro baixo é um achado, não um diagnóstico. Descobrir por que ele baixou faz parte da investigação.
  • Ferro em excesso faz mal. Repor sem deficiência comprovada não é indicado e pode sobrecarregar o organismo.

O que o hemograma mostra?

O hemograma conta as células do sangue e mostra se há anemia. Ele não mede o estoque de ferro: a hemoglobina pode estar normal enquanto a ferritina já está baixa. Por isso, na queda de cabelo, ele é lido junto com a ferritina, e não no lugar dela.

A tireoide pode causar queda de cabelo?

Pode. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem provocar queda difusa, no couro cabeludo inteiro. A Sociedade Brasileira de Dermatologia lembra que a forma crônica do eflúvio telógeno, em que a queda vai e volta ao longo do tempo, está associada a doenças autoimunes, e a mais comum delas é a tireoidite de Hashimoto. O exame inicial costuma ser o TSH, às vezes com o T4 livre e, na alopecia areata, conforme o caso, com os anticorpos da tireoide.

O limite: resultado normal afasta a tireoide como causa naquele momento, mas não explica a queda. Quando a tireoide está alterada, o tratamento costuma ser conduzido junto com o endocrinologista ou o clínico, e o cabelo leva meses para responder.

Vale dosar vitamina D na queda de cabelo?

Depende do caso. Uma metanálise encontrou vitamina D mais baixa em pessoas com alopecia areata. Na calvície e no eflúvio telógeno, os resultados são conflitantes, e vitamina D baixa em quem tem queda não prova que ela seja a causa. A orientação atual é repor quando há deficiência. Não há evidência de que tomar vitamina D sem deficiência faça o cabelo crescer, e o excesso prolongado acumula cálcio no organismo.

E o zinco?

A falta de zinco pode causar queda, mas costuma estar ligada a situações específicas, como dieta muito restrita, doença intestinal com má absorção ou cirurgia bariátrica. Na calvície e no eflúvio telógeno, os estudos que medem zinco no sangue são inconsistentes, e uma revisão sobre vitaminas e minerais na queda não recomenda dosá-lo de rotina nesses casos. Doses altas de zinco também reduzem a absorção de cobre e podem levar a anemia.

Quando entram os exames de hormônios?

Quando há sinais de excesso de hormônios masculinos, como ciclo menstrual irregular, acne e aumento de pelos no rosto. Esses sinais podem apontar para a síndrome dos ovários policísticos, que se associa à calvície feminina. Quando a investigação vai nessa direção, o caso costuma ser acompanhado também pelo ginecologista ou pelo endocrinologista.

Vitamina resolve queda de cabelo?

Só quando há deficiência comprovada. A Academia Americana de Dermatologia orienta tomar ferro, zinco ou biotina apenas quando o exame de sangue mostra falta. Sem deficiência, não há evidência de que suplemento trate calvície ou alopecia areata, e ele não interrompe um eflúvio cujo gatilho continua ativo, como explicamos em quando a queda é normal.

Dois cuidados:

  • Mais não é melhor. O excesso de vitamina A e de selênio pode, ele mesmo, provocar queda.
  • Biotina altera exames. A biotina (vitamina B7), comum em fórmulas para cabelo e unha, pode falsear exames de hormônios, inclusive os da tireoide. Antes de colher o sangue, conte à médica e ao laboratório o que você usa.

Mineralograma e "teste do fio" diagnosticam deficiência?

Não. O mineralograma capilar e outros testes de análise do fio prometem mostrar, a partir de uma mecha, carências de vitaminas e minerais. O cabelo não é uma boa amostra para isso:

  • Contaminação externa. Xampu, tintura, química, água e poluição depositam substâncias no fio, e é difícil separar o que veio de fora do que veio do organismo.
  • Sem valores de referência. Não há faixas confiáveis do que seria normal no cabelo.
  • Resultados que não se repetem. Em um estudo publicado no JAMA, uma mesma amostra de cabelo foi dividida e enviada a seis laboratórios comerciais dos Estados Unidos. Para 12 minerais, a diferença entre o maior e o menor valor passou de dez vezes, e as recomendações de suplemento foram contraditórias. Os autores recomendaram não usar o exame para avaliar o estado nutricional.

Isso é diferente do teste de tração, que pode fazer parte do exame dermatológico: o médico puxa delicadamente uma mecha para ver quantos fios se soltam. Ele avalia o ciclo do cabelo, e não nutrientes. Falta de vitamina ou de mineral se confirma no exame de sangue.

O que fazer com os resultados?

Exame de sangue é uma peça do diagnóstico, e não o diagnóstico inteiro. Resultado normal é comum: segundo a Associação Britânica de Dermatologistas, em 1 de cada 3 pessoas com eflúvio telógeno nenhuma causa é encontrada. Um resultado alterado também nem sempre explica tudo, porque pode haver mais de um fator ao mesmo tempo, como no pós-parto. Como o fio cresce devagar, a resposta a qualquer correção é avaliada ao longo de meses.

Leve à consulta os exames recentes, com a data da coleta, e a lista de medicamentos, vitaminas e suplementos em uso.

Exames para queda de cabelo em São José dos Campos

A Dra. Simone Vitor é dermatologista e avalia queda de cabelo em todas as idades, no Centro de São José dos Campos, com pacientes também de outras cidades do Vale do Paraíba. A consulta é particular, dura 60 minutos e inclui a tricoscopia e um retorno em até 30 dias. Os exames de sangue são pedidos quando a história e o exame indicam, e não como lista padrão. O consultório não atende planos de saúde e emite nota fiscal para quem pede reembolso.

Conheça o atendimento para queda de cabelo ou veja os horários para reservar sua consulta.

Imagem de capa: Blood collection renal function test tube, foto de Fumikas Sagisavas, em domínio público (CC0), via Wikimedia Commons. Recortada e redimensionada.

Referências

Perguntas frequentes
Quais exames de sangue são pedidos para queda de cabelo?+

Não existe uma lista fixa. Os mais pedidos são ferritina, hemograma e exames da tireoide. Vitamina D, vitamina B12, zinco, hormônios e outros entram conforme a história e o exame do couro cabeludo, que vêm antes do pedido.

Ferritina baixa sem anemia pode causar queda de cabelo?+

Pode estar associada, embora os estudos não sejam unânimes. A ferritina mede o estoque de ferro e costuma cair antes da hemoglobina, então um hemograma normal não descarta ferro baixo. Quando a ferritina vem baixa, a causa dessa perda também precisa ser investigada.

Vitamina D baixa causa queda de cabelo?+

Ela aparece mais baixa em algumas formas de queda, sobretudo na alopecia areata, mas essa associação não prova que seja a causa. A reposição é indicada quando há deficiência comprovada, e não há evidência de que tomar vitamina D sem deficiência faça o cabelo crescer.

Mineralograma capilar mostra deficiência de vitaminas e minerais?+

Não. O fio sofre contaminação de xampu, tintura e ambiente, não há valores de referência confiáveis, e a mesma amostra analisada em laboratórios diferentes deu resultados contraditórios. Deficiência se confirma no exame de sangue.

Exame de sangue normal quer dizer que a queda não é nada?+

Não. Segundo a Associação Britânica de Dermatologistas, em cerca de 1 de cada 3 pessoas com eflúvio telógeno nenhuma causa é encontrada, e a queda é real. O diagnóstico depende também da história e do exame do couro cabeludo, e a evolução é acompanhada ao longo de meses.

Quem toma biotina precisa avisar antes do exame de sangue?+

Sim. A biotina, vitamina comum em fórmulas para cabelo e unha, pode falsear exames de hormônios, inclusive os da tireoide. Avise a médica e o laboratório antes da coleta, para que orientem se é preciso suspender e por quanto tempo.

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