Acne na adolescência: quando levar ao dermatologista
Acne com nódulos e cicatrizes nas costas, em adulto. Foto clínica real, sem rosto e sem relação com paciente da clínica; crédito no fim do texto.
Acne na adolescência é muito comum e faz parte da puberdade, mas não precisa ser enfrentada só com produtos de farmácia. Vale levar ao dermatologista quando a acne deixa marcas ou cicatrizes, forma caroços doloridos, não melhora depois de alguns meses de cuidados, começa muito cedo ou está pesando na autoestima do adolescente.
Segundo a Academia Americana de Dermatologia, quase todo adolescente tem pelo menos algumas espinhas. Na puberdade, os hormônios androgênicos fazem as glândulas de sebo crescerem e produzirem mais óleo. O poro entope e forma o cravo, e quando ele inflama surge a espinha. Em alguns adolescentes, a inflamação vai mais fundo e forma nódulos, que doem e deixam marca.
Espinhas na adolescência sempre precisam de tratamento?
Nem sempre. Alguns cravos na testa e no nariz, que respondem a um sabonete adequado e a um produto simples, podem ser só acompanhados. O problema é que a acne não fica parada: pode passar de leve a moderada em poucos meses, e a chance de cicatriz aumenta com a gravidade e com o tempo de doença, como lembra a diretriz britânica do NICE.
Cicatriz de acne não desaparece sozinha. Por isso, o melhor momento para tratar é antes que ela se forme, e não depois que a adolescência passar.
Quais sinais indicam que é hora de levar ao dermatologista?
- Cicatrizes ou manchas que demoram meses para sair. Furinhos, depressões na pele ou marcas escuras persistentes mostram que a inflamação está indo fundo.
- Caroços doloridos. Nódulos que doem ao toque e duram semanas caracterizam a acne nodular, que o NICE recomenda ser acompanhada por dermatologista.
- Produtos de farmácia que não funcionaram. Se, depois de dois a três meses de uso correto, a pele continua igual ou piorou, o plano precisa ser revisto.
- Impacto emocional. O adolescente evita fotos, festas, piscina ou escola, ou fica irritado e triste por causa da pele. Uma meta-análise de 42 estudos encontrou associação entre acne e sintomas de depressão e ansiedade. A acne que pesa na vida merece tratamento, mesmo que pareça leve para quem olha de fora.
- Acne que começa cedo. Cravos entre os 7 e os 12 anos podem ser um dos primeiros sinais da puberdade e já podem ser tratados. Entre 1 e 6 anos, acne é rara e pede investigação hormonal.
- Acne no peito e nas costas, que deixa cicatriz com frequência e é difícil de tratar só com produtos de farmácia, como explicamos em acne nas costas e no peito.
- Pai ou mãe com acne grave e cicatriz, porque o histórico familiar aumenta o risco.
Como é a consulta e o tratamento da acne em adolescente?
A consulta começa pela conversa: quando a acne começou, o que já foi usado e por quanto tempo, quais produtos de pele e de cabelo entram na rotina e, nas meninas, como é o ciclo menstrual. Ciclos muito irregulares, aumento de pelos ou piora forte antes da menstruação podem levar a uma investigação hormonal junto com o ginecologista, tema do texto sobre acne hormonal e SOP.
Depois vem o exame do rosto, do peito e das costas, para classificar as lesões (cravos, espinhas inflamadas, nódulos) e procurar cicatrizes. É essa classificação que define o plano, montado em etapas:
- Cuidados de base: sabonete suave, hidratante que não entope os poros e protetor solar.
- Medicamentos aplicados na pele, que são o pilar do tratamento.
- Medicação por via oral por tempo definido, quando a acne é mais inflamada ou extensa.
- Tratamento oral específico para acne grave, com nódulos ou cicatrizes, que exige exames e consultas regulares e, nas meninas, um método seguro para evitar gravidez durante todo o tratamento.
- Abordagem hormonal em algumas meninas, discutida com o ginecologista.
A melhora é gradual e costuma aparecer em 8 a 12 semanas. Trocar de produto a cada 15 dias é uma das causas mais comuns da sensação de que "nada funciona".
Qual é o papel dos pais no tratamento da acne?
Os pais participam da consulta, entendem o plano e ajudam na rotina e na compra dos produtos. Quem aplica o creme toda noite, porém, é o adolescente, e a adesão melhora muito quando ele entende o porquê de cada passo e tem espaço para contar, com as próprias palavras, o que incomoda.
Em casa, ajuda evitar comentários sobre a pele na frente de outras pessoas e não atribuir a acne à alimentação ou à falta de cuidado. Se a tristeza, o isolamento ou a irritação parecem maiores do que a acne explica, converse também com o pediatra e busque apoio psicológico, em paralelo ao tratamento da pele. Se o adolescente falar em se machucar ou em não querer viver, procure ajuda no mesmo dia: o CVV atende pelo telefone 188, a qualquer hora, e o pronto-atendimento também pode ser procurado.
Quais são os mitos mais comuns sobre acne?
- "É falta de higiene." A acne começa dentro do poro, por hormônio e oleosidade. Lavar demais e esfregar irritam a pele. Lavar o rosto até duas vezes por dia, e depois de suar, é suficiente.
- "Chocolate e fritura causam espinha." O NICE afirma que não há evidência suficiente para recomendar dietas específicas no tratamento da acne. Alguns estudos associam excesso de açúcar e de leite à piora, mas cortar alimentos por conta própria raramente resolve.
- "Sol seca a espinha." O bronzeado disfarça por alguns dias, mas escurece as manchas que as espinhas deixam, e o bronzeamento pode piorar a acne.
- "Espremer ajuda a sarar." Espremer prolonga a inflamação e aumenta o risco de mancha e cicatriz.
- "Receita caseira resolve." Pasta de dente, álcool e limão irritam a pele, e o limão, em contato com o sol, pode causar manchas e queimaduras.
Dermatologista para adolescentes em São José dos Campos
A Dra. Simone Vitor trata acne em adolescentes e adultos no Centro de São José dos Campos, em consulta de 60 minutos que comporta a conversa com o adolescente e com a família. Anote os produtos já usados, inclusive os de farmácia, e por quanto tempo cada um foi usado: essa lista evita repetir o que não funcionou.
Para reservar, escolha um horário na agenda online. O acompanhamento da acne está descrito na página de tratamento de acne.
Imagem de capa: acne nodular e cicatrizes nas costas, foto clínica de James Heilman, MD, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0 (recortada).
Referências
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Acne.
- American Academy of Dermatology. Acne: quem tem e por quê e dicas de cuidado com a pele.
- NICE. Acne vulgaris: management, NG198. Critérios de encaminhamento ao dermatologista, cuidados com a pele e dieta.
- Samuels DV e colaboradores. Acne vulgaris and risk of depression and anxiety: a meta-analytic review. Journal of the American Academy of Dermatology, 2020 (PMID 32088269).
- DermNet. Acne em crianças. Classificação por faixa etária e quando investigar causa hormonal.
Com que idade a acne costuma começar?+
Com a puberdade. Cravos entre 7 e 12 anos podem ser um dos primeiros sinais e já podem ser tratados. Entre 1 e 6 anos, acne é rara e merece investigação.
Acne na adolescência passa sozinha?+
Muitas vezes melhora no fim da adolescência, mas pode continuar na vida adulta, e as cicatrizes formadas no caminho não somem sozinhas. A decisão de tratar depende do tipo de lesão e do impacto, não só da idade.
Produto de farmácia resolve acne leve?+
Pode ajudar quando há poucos cravos e espinhas. Se não houver melhora depois de dois ou três meses de uso correto, ou se surgirem nódulos e marcas, é hora da consulta.
Maquiagem piora a acne?+
Maquiagem oleosa pode piorar. Produtos sem óleo e não comedogênicos, removidos no fim do dia, costumam ser bem tolerados e podem ajudar na autoestima durante o tratamento.
O tratamento de acne exige exame de sangue?+
Nem sempre. Exames são pedidos quando há suspeita de alteração hormonal ou quando o tratamento escolhido exige acompanhamento laboratorial.
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