Dra. Simone Vitor Dermatologia
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Cabelos
18 de junho de 2026 · 6 min de leitura

Alopecia frontal fibrosante: a testa que 'aumenta' e as sobrancelhas que somem

Por Dra. Simone Vitor · Dermatologista · CRM-SP 184.235 · RQE 99.098
Escrito e revisado pela Dra. Simone Vitor · atualizado em 18 de junho de 2026
Alopecia frontal fibrosante: a testa que 'aumenta' e as sobrancelhas que somem

"Minha testa está aumentando." É assim que muitas pacientes descrevem, sem saber, o primeiro sinal da alopecia frontal fibrosante (AFF) — uma forma de calvície que exige atenção porque, diferente da queda comum, ela cicatriza o couro cabeludo e pode causar perda definitiva dos fios.

O que é

A AFF é uma alopecia cicatricial: a inflamação destrói os folículos e os substitui por cicatriz. Onde já cicatrizou, o cabelo não volta. Por isso ela é tão diferente do eflúvio ou da calvície comum — e por isso o tempo importa tanto.

Atinge principalmente mulheres após a menopausa, mas também aparece antes disso e, mais raramente, em homens. A causa não é totalmente conhecida — há um componente autoimune e, provavelmente, hormonal e ambiental.

Os sinais que denunciam

  • Recuo da linha do cabelo na frente e nas laterais (a "testa que aumenta"), muitas vezes em faixa;
  • Perda das sobrancelhas — às vezes o primeiro sinal, antes mesmo do couro cabeludo;
  • Pele da nova "testa" mais pálida, lisa e brilhante (cicatricial), contrastando com a pele bronzeada de fora;
  • Fios solitários ("lonely hairs") isolados na área que recuou;
  • Às vezes vermelhidão e descamação em volta dos fios, ou coceira/ardência.

Por que o diagnóstico precoce é decisivo

Como a AFF cicatriza, o que se perde não se recupera. O objetivo do tratamento não é fazer o cabelo voltar na área cicatrizada — é estabilizar a doença e frear o avanço, preservando os fios que ainda existem. Quanto antes começa, menos cabelo se perde. Diagnosticar cedo é, literalmente, o que muda o resultado.

Como se diagnostica

Na consulta, a história e o exame do couro cabeludo com tricoscopia (dermatoscopia dos fios) mostram os sinais característicos — perda das aberturas foliculares, descamação perifolicular. Em alguns casos, uma biópsia do couro cabeludo confirma e afasta outras alopecias cicatriciais. Esse cuidado diagnóstico é o que separa a AFF de uma queda comum — e evita tratar a doença errada por meses.

Como se trata

O tratamento é individual e busca frear a inflamação: medicações tópicas e infiltrações, medicações orais em casos que avançam, e o controle dos fatores associados. É um acompanhamento de longo prazo, com reavaliações para confirmar que a doença estacionou. As sobrancelhas, em parte dos casos, respondem a tratamento específico.

Quando procurar

Se a sua linha do cabelo recuou, se a testa parece maior nas fotos de alguns anos atrás, ou se as sobrancelhas rarearam sem explicação — não espere. Uma avaliação com tricoscopia define o diagnóstico e, se for AFF, começar cedo é o que protege o cabelo que resta.


Imagem de capa: recuo frontal da linha do cabelo na alopecia frontal fibrosante, foto clínica de Tziotzios et al., via Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0 (recortada).

Perguntas frequentes
O que é alopecia frontal fibrosante?+

É uma calvície cicatricial que recua a linha do cabelo na frente e nas laterais e costuma causar perda das sobrancelhas. Como cicatriza o couro cabeludo, o cabelo perdido não volta — por isso o diagnóstico precoce é essencial.

O cabelo volta na alopecia frontal fibrosante?+

Na área já cicatrizada, não. O tratamento não busca fazer o cabelo voltar ali, e sim estabilizar a doença e frear o avanço, preservando os fios que ainda existem.

Quem tem mais alopecia frontal fibrosante?+

Principalmente mulheres após a menopausa, mas também mulheres mais jovens e, raramente, homens. Há componente autoimune e provavelmente hormonal.

Perder sobrancelha é sinal de alopecia frontal fibrosante?+

Pode ser — a perda das sobrancelhas é, às vezes, o primeiro sinal, antes mesmo do recuo do couro cabeludo. Vale avaliação com tricoscopia.

Como se confirma o diagnóstico?+

Pela história, pelo exame do couro cabeludo com tricoscopia e, quando necessário, por biópsia — que confirma e afasta outras alopecias cicatriciais.

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